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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Carnaval à la espanhola

Sim, amigos, aqui também há carnaval. Afinal de contas, lembremos que foram eles, os europeus, que levaram a famosa festa pela qual o Brasil é tao conhecido hoje em dia. Com o passar dos anos, foi o Brasil que ficou com o título de melhor carnaval do mundo, mas os espanhóis nao mandam mal, nao. Eles também tem a festa deles, com algumas características diferentes e outras parecidas, como vamos contar aqui.

Na Espanha, o Carnaval mais famoso, mais luxuoso e mais conhecido nos outros países é o Carnaval das Ilhas Canárias, especialmente de Santa Cruz de Tenerife. A festa ali é muito parecida com a nossa, com escolas de samba, fantasias muito similares às nossas, concurso de rainha do Carnaval, de rei momo, de drag queen etc. Quanto a nudez, as fantasias sao curtinhas também, afinal ali a temperatura oscila entre 20 e 25 graus nessa época do ano, mas ainda há um certo recato, em comparaçao às brasileiras.

O segundo carnaval mais famoso na Espanha é o de Cádiz, no sul do país. É de ali que vêm as graciosas chirigotas, coros fantasiados que cantam uma cançao com letra satírica, geralmente criticando o governo. A melodia geralmente nao é muito dançante, nem muito importante; o que sim importa é a letra, as rimas feitas, que costumam ser muito engraçadas.

Um ritual muito famoso aqui é o Entierro de la Sardina, um costume que surgiu em Múrcia, mas acabou se espalhando por várias cidades espanholas. Em algumas, nao é exatamente uma sardinha que é enterrada e sim um pedaço de carne de porco ou morcilla (uma espécie de linguiça feita com sangue de porco). Trata-se de um cortejo fúnebre de mentirinha, levando uma sardinha de papelao, muitas vezes, que acontece na Quarta-Feira de Cinzas. A sardinha representa o passado, o socialmente estabelecido, ou algum problema atual, que é enterrado para que renasça uma nova sociedade ou que o problema desapareça.

Em Madrid, se realiza um concurso de máscaras no Círculo de Bellas Artes, além de também haver o Entierro de la Sardina.

Isso sim, o carnaval daqui nao é tao alegre e intenso como o brasileiro, nao há músicas carnavalescas tocando em todas as partes. A TV nao emite desfiles de escolas de samba, nem concursos de disfarces (pelo menos, nao em Madrid). Limita-se a mostrar algumas imagens rápidas no telejornal. É um ambiente completamente diferente do que se vive no Brasil, provavelmente devido ao inverno, que nao favorece pessoas mostrando o corpo nem a festa. Na minha opiniao, é um carnaval mais antigo, mais pudico, mais próximo do que havia no Brasil nos anos 1920, 1930, mesmo. Eu até acho interessante, mas nao, nao me peçam para festejar o Carnaval ; eu sou uma brasileira falsificada, como diz o meu marido.

FOTOS:
1) Cena do Carnaval em Tenerife, 2009 - Google Imagénes
2) Rainha do Carnaval de Tenerife 2009 - Google Imagénes
3) Chirigota de Cádiz - Google Imágenes
4) Entierro de la Sardina - Google Imágenes
5) Desfile de máscaras no Círculo de Bellas Artes de Madrid de 2009 - Google Imágenes

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Mais de 5 milhoes de estrangeiros em Espanha

O El País publicou hoje em sua web que já existem 5.648.671 estrangeiros na Espanha, de acordo com o Instituto de Estatística. Sao 400 mil mais em relaçao ao ano anterior. Nao se sabe até que ponto esse número é real, porque muitos estrangeiros nao se "empadronam", isto é, nao se registram nas prefeituras como moradores, por serem ilegais e terem medo de serem descobertos, ou por desinformaçao.

De qualquer forma, chama a atençao como ainda chegam pessoas de outros países aqui, mesmo com o noticiário em todo o mundo dizendo que a crise na Espanha abalou de forma muito forte. Fico pensando que, se alguém ainda prefere vir para cá na situaçao que está, é porque deve estar passando muito, mas muito mal mesmo, no país onde vivia. Sempre aparece alguém no meu orkut perguntando sobre morar na Espanha, como está para arrumar emprego, essas coisas. E eu sempre respondo igual: nao venha agora. Espere. A situaçao está feia mesmo, gente, nao é exagero da imprensa. Quando cheguei aqui, em 2004, fiquei nove meses desempregada. Dos diversos curriculuns que enviava todos os dias, creio que apenas 20% acabava em entrevista. Agora, nem isso. Qualquer vaguinha de auxiliar de escritório tem 700 pessoas inscritas. Há uma semana, fui ao INEM para cadastrar-me a cursos e fiquei realmente mal quando vi a quantidade de pessoas esperando para se inscreverem porque acabaram de ser despedidas, ou porque as parcelas do seguro-desemprego terminaram e precisam agora de algum subsídio do governo.

Voltando à reportagem, parece que o grupo de imigrantes mais numeroso é dos romenos, seguidos pelos marroquinos e equatorianos. O Brasil nao aparece entre os grupos maiores, o que é bom, pois evita que o preconceito aumente entre nós. Infelizmente, ainda tem muita gente aqui que pensa que o estrangeiro vem para roubar o emprego (e outras coisas mais) e piorar a situaçao do país, como se pode ler nos comentários dos leitores do El País. Fico pensando quando a Espanha será um país como a Inglaterra, Canadá ou Estados Unidos, que tem uma tolerância maior ao imigrante, ou que pelo menos, parece que compreende melhor o fenômeno. Espero que um dia eu veja isso acontecer.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Humor espanhol - parte 1: Que vida más triste

Desde que comecei minha vida de parada (desempregada), como se pode imaginar, passei a assistir mais TV do que antes e acabei levando uma grata surpresa. Descobri, nas tardes de segunda a sexta no canal La Sexta, um programinha curtinho, mas muito bem feito e engraçadíssimo chamado "Que Vida Más Triste", uma série que conta a vida de dois amigos, Borja e Joseba, que moram em Basauri (País Vasco), estao na faixa dos 30 anos e, como muitos de sua idade aqui na Espanha (e creio que no mundo todo) nao têm as vidas mais glamourosas do mundo, para se dizer de alguma forma. Borja é o típico loser: gruista, nao tem namorada, nao tem dinheiro, mora ainda com o seu pai e vive se dando mal com as mulheres. Seu melhor amigo, Joseba, é um cara bacana e de bom coraçao, mas meio bobao. Seu pai, Augustin, está sempre tentando arrumar uma namorada para ele, para ver se ele sai de casa de uma vez por todas. Ás vezes, aparecem suas ex namoradas, ou Verônica, sua vizinha de prédio e amor platônico.

O que faz dessa série ser tao engraçada? É que tem um humor extremamente inteligente, coisa difícil de se ver na TV de hoje em dia. Diga-se de passagem, algo muito comum dos vascos, que sao famosos aqui por seus programas humorísticos, sempre criticando a política e a sociedade. Nao é só de ETA e vinho Rioja vive aquela regiao do norte. Os melhores programas desse tipo estao ali (falarei mais sobre isso em outro post).

"Que Vida Más Triste" tem um formato semelhante ao da série americana "How I met your mother" e tem algo de "Hermes e Renato" que eu simplesmente adoro (quem me conhece, sabe que sou fanática por "Hermes e Renato"), e é aquele toque de caseiro, de amador, e que quando vai a TV, funciona de maravilha. Pesquisando na net para escrever este post, descobri que a série de fato surgiu de uma maneira amadora, em um videoblog, que acabou fazendo tanto sucesso que a Sexta chamou os criadores, Rubén Ontiveros e Natxo del Agua, para fazer um programa na TV, mais ou menos como aconteceu com "H & R". A única exigência feita foi de levar os mesmos atores, os mesmos guionistas e o mesmo formato, o que foi aceitado felizmente!

Os atores de "QVMT" se chamam realmente Borja, Joseba, Veronica; os dois primeiros realmente trabalham numa grua e em um laboratório. O cenário sempre é o mesmo: o quarto de Borja (onde, sentado na cama, ele conversa com o telespectador como se fosse um videoblog) ou a sala de estar deste, onde ele e Joseba conversam com os comandos da Play em maos. Borja é um anti-herói perfeito: feio, canalha, burro, interesseiro; mas ao mesmo tempo, engraçadíssimo e carismático. Suas frases "toma, toma" e "flipa, flipa" já estao entrando (ou já entraram) para a história da TV espanhola.

Quem estiver curioso, pode ver um vídeo que peguei no Youtube aqui para conferir. É um dos melhores episódios, quando Borja descobre o Facebook. Vale a pena! E quem está aqui e tem as tardes livres, recomendo que assista. É muito melhor do que "DEC", "Salváme" e coisinhas do gênero!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Humor espanhol - parte 1: El Tio La Vara

 Vou começar uma nova série de posts, desta vez dedicados para contar sobre o humor espanhol e os melhores programas de TV desse estilo. O humor espanhol é um pouco parecido com o brasileiro, há programas de humor mais sexual (apesar que eu ainda acho que o brasileiro é mais direto), apelativo, há aqueles que nao tem graça nenhuma, e tem aqueles que sao ótimos, geralmente sátiras ou de modelos similares aos norte-americanos, como esquetes e sitcoms. Como em todas as partes, o humor espanhol está feito para o público espanhol, e por isso, as piadas sao muito espanholas mesmo, é preciso entender o contexto para poder achar engraçado. Mas nem sempre é algo tao complicado, afinal em todos os países os problemas sao mais ou menos os mesmos.

No post de hoje eu vou falar sobre o Tio La Vara, personagem do ator cômico José Mota que tem um programa na TVE, "La Hora de José Mota", em que há vários esquetes satirizando situaçoes do dia-a-dia, como a dificuldade para conseguir uma hipoteca, o desemprego galopante etc. Entre todos os quadros do programa, no entanto, há um que ganhou tanta fama que já tem página de fans no Facebook, vídeos e mais vídeos no Youtube, blogs dedicados especialmente para ele entre outras coisas - é o Tio La Vara, na minha opiniao, o personagem cômico mais engraçado dos últimos anos aqui.

O Tio La Vara é um super-herói moderno, um caipira humilde que, quando empunha a famosa vara, gritando "el poder de la varaaaa!", tomado pela fúria despertada pelos "tontos del culo" que tem assomado a Espanha, se transforma num ser poderoso que vai justiçar os pobres oprimidos, os cidadaos comuns. Cidadaos que estao cansados que ser ordenados sobre como se vestir, que óculos escuros usar, que carro ter, que comida comer... cidadaos que sao demitidos por chefes inescrepulosos que se divertem com o poder ou que sofrem com os juros cobrados pelos bancos, imigrantes explorados por pirateadores de CDs, vizinhos que têm que aguentar gente fofoqueira etc. Seu grito de guerra é "sus va crujir vivos, a tos!".

Uma vez que o Tio La Vara está diante do malfeitor, a vara é usada para dar uma boa surra, bem à moda dos nossos avós. E o resultado é que o malfeitor acaba se transformando em um bom cidadao, e agradece as varadas, dizendo que agora vê tudo de uma maneira diferente. É uma pena que o Tio La Vara nao exista, porque realmente há muita "tonteria" por aí e muita gente precisando do "poder de la vara"! Se você ficou curioso, pode ver um vídeo de um dos episódios do Tio La Vara aqui.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Vida de cachorro


Há alguns meses, recebi um email perguntando como era ter um cachorro na Espanha, se os animais viviam bem, como era a qualidade dos veterinários... entao vamos lá, vou contar como é ter um cao aqui, afinal mais gente talvez queira saber!

Eu comprei o meu cao aqui, de um criador, entao nao sei muito bem como funciona para trazer um cao do Brasil para cá; sei que é preciso um atestado do veterinário dizendo que o cao está em ótimas condiçoes de saúde e com as vacinas em dia e que é preciso buscar um documento no Ministério da Agricultura que possibilita a viagem do animal. Mas sinceramente nao sei muito bem como isso funciona, ok? Vou falar a partir do momento que o cao já está aqui ou se alguém pensa em comprar/adotar um cao aqui.

A Espanha tem muitos criadores, especializados nas mais diversas raças. Para quem prefere comprar, eu recomendo que pesquise MUITO antes de tomar uma decisao por este ou aquele criador. É bom visitar a página da Real Sociedad Canina para conhecer os principais criadores de uma determinada raça, revirar o Google sem dó nem piedade e pedir conselhos nos fóruns de proprietários de caes. Peça sempre referências, e jamais compre um cao se o criador nao oferece contrato, pedigree e garantia em caso de doenças genéticas. Mesmo tomando todos esses cuidados, ninguém está livre de ter problemas no futuro, por isso é bom se assessorar bem.

Para quem prefere adotar, há diversas ONGs que recolhem caes e gatos abandonados (às vezes também coelhos, ferrets e outros animais exóticos) e também as perreras, que sao as "carrocinhas" daqui, isto é, um órgao dependente da prefeitura do município que recolhe caes e gatos abandonados e recebe aqueles cujos donos nao podem mais manter. Nesses locais, geralmente após umas duas semanas, se o cao nao encontra o seu dono ou se ninguém decide adota-lo, é bem possível que ele seja sacrificado. As perreras estao lotadas, infelizmente, entao sempre é uma opçao que se deve pensar com carinho também, antes de comprar um animal.

Todos os caes (e nao tenho certeza, mas acredito que gatos também) devem ser microchipados na Espanha por lei. Todos os veterinários estao capacitados para inserir o microchip no pescoço do animal, o que deve ser feito o mais rápido possível a partir do momento que o bicho está em casa. O microchip é um dispositivo que leva um código alfanumérico. Uma vez que o cao tenha o microchip, o dono deve preencher um documento com os seus dados e os do animal (raça, sexo, nome, data de nascimento). Esse documento será levado a central da comunidad autônoma de onde você mora e vai fazer parte do cadastro. Se um dia o seu caozinho se perder, e uma boa alma encontra-lo e leva-lo a uma clínica veterinária, o profissional poderá ler o microchip com um leitor especial e, uma vez sabendo o código, procurará a central para saber de quem é aquele número, e assim, você será localizado e informado de onde está o seu animalzinho.

O microchip é muito bom, é um sistema eficiente, mas só há um problema: nao existe um cadastro nacional de microchips. Isso significa que, se você mora em Madrid, mas perder o seu bichinho de estimaçao em outra comunidad autônoma (Valencia, Cataluña, Andaluzia, Astúrias, Galicia etc), mesmo que alguém leve-o a um veterinário para ler o microchip, nao será possível saber que você é o dono, porque os veterinários só tem acesso ao cadastro de sua própria comunidad. Nessas, ou o animal acaba indo para a perrera ou, se você tiver mmmmuuuuita sorte, o veterinário e a pessoa que o encontrou poderá solicitar que procurem o número em todas as comunidades até dar em você. É difícil, mas acontece. Outro dia vi na TV o caso de um cachorro, encontrado em Barcelona, que havia se perdido em Valencia, quando os seus donos (creio que de Madrid) estavam de férias. Ninguém sabe como o peludo foi parar em Barcelona, mas a sorte dele foi ter sido encontrado por umas voluntárias de uma ONG que foram realmente muito solicítas.

Veterinários. Os veterinários da Espanha, como em todas as partes, podem ser muito bons ou muito ruins, é questao de sorte, mesmo. O melhor é perguntar aos amigos e parentes que tenham caes e gatos antes de colocar o seu mascote em uma determinada clínica, para saber como funciona a coisa... uma vez que o seu bichinho esteja cadastrado em uma clínica, você poderá fazer um seguro-saúde para ele, pagando um determinado valor por alguns meses, e terá direito a quantas vacinas e consultas sejam necessárias (geralmente nao estao cobertas as cirurgias e atendimentos 24 horas). Independente de fazer o plano ou nao, quando chegar a época do seu animal ser vacinado, a clínica te mandará uma carta ou telefonará para lembrar.

Raçoes e pet shops. As raçoes sao muito boas, é possível encontrar marcas de renome como Royal Canin, Eukanuba, Hill´s, Advance (Affinity), e mesmo as importadas Acana, Nutro Choice... o leque é variadíssimo. As pet shops costumam ser boas, com muitas opçes de brinquedos nacionais, americanos e alemaes (atençao para a marca Trixie - é ótima!), caminhas, artigos de higiene etc.

Passeios. A cultura do espanhol é de levar o cao para passear três vezes por dia, sempre, faça chuva ou faça sol, a nao ser que o animal seja muito idoso e nao possa caminhar, ou esteja doente. Nao existe a prática de deixar os caes fazerem as necessidades no quintal de casa, salvo as exceçoes que eu disse, porque o espanhol considera anti-higiênico, por mais que o dono depois limpe e desinfete. Na cultura do espanhol, o cao deve fazer as necessidades fora de casa. Isso sim: é obrigatório por lei que o dono recolha os excrementos. Se um policial ver que você nao pegou as fezes, pode te multar. Uma vez, ouvi falar que a multa estava em 500 euros em algumas comunidades autônomas. Para facilitar o cidadao, há Pipicans em muitos municípios espanhóis (latas de lixo especiais para o depósito das cacas, com saquinhos de plástico para os proprietários pegarem gratuitamente para limpar a sujeira da rua). É claro que nem todo mundo obedece a lei, mas... é importante que seja cumprida, pois um dono consciente terá seu  animal bem-recebido em todas as partes.

Além da questao fisiológica, também é importante lembrar que caes que passeiam sao menos vulneráveis a desenvolver problemas de comportamento, como latidos em excesso, destruiçao em casa etc. Por isso, em algumas cidades espanholas, o dono que nao leva o seu cao para passear pode ser multado e perder a guarda do animal se for denunciado. Pode acontecer de uma pessoa ter um cao, ou vários, dentro de casa durante horas e horas, sem leva-lo para passear nunca, e os caes passam a latir tanto que incomoda a vizinhança, daí as denúncias.

Em muitas cidades espanholas há parques para levar seu cachorrinho, inclusive existem os parques para perros, que sao áreas cercadas dentro de um parque normal, para que o cao ali possa ser solto e brincar a vontade. Por falar nisso, na Espanha está proibido andar com o cao solto, sem coleira e guia.

Viajar com o seu mascote também está cada vez mais fácil aqui. O número de hotéis que aceitam caes aumenta e é importante sempre confirmar se o hotel realmente aceita o seu animalzinho (muitos cobram uma taxa extra pelo peludo). Geralmente, ele poderá ficar com você dentro do quarto, e o pessoal do hotel pedirá que você avise quando saia com ele, para que a arrumadeira possa limpar o quarto. Eu e meu marido sempre viajamos com o Panchito e procuramos sempre um hotel da rede Ibis, que geralmente aceita sem problemas. Se nao for possível levar o bichinho, entao a soluçao é deixa-lo em um hotel para caes e gatos. O número de estabelecimentos assim tem crescido também e é aconselhável ligar com antecedência para reservar, principalmente na época de verao, natal e feriados prolongados, pois as vagas podem escassear.

Fotos:


1) Panchito comigo na última grande nevada em Madrid
2) Microchip canino (foto Google Imagens)
3) Pipican em Rivas Vaciamadrid
4) Vista do parque para caes no Parque Juan Carlos I, em Madrid

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Preciso do seu voto!

O Próxima Estación está competindo para ser um dos 100 melhores blogs sobre vida no exterior! O concurso é o IX 10 Top 100 (The Top 100 International Exchange and Experience Blogs), do site Lexio Philes, da Bab.la. No ano passado, eles escolheram cem blogs de pessoas de diversas nacionalidades, em várias partes do mundo, nas mais diferentes línguas, contando como é viver em outro país - as dificuldades, alegrias, tristezas, descobertas, curiosidades e tudo o que essa experiência traz. Agora, é a vez de escolher os cem melhores blogs de 2010.

E olha só - o Próxima Estación foi indicado! Fiquei muito feliz, pois sempre é gratificante saber que alguém gosta e reconhece o seu trabalho. Sei que o blog é acompanhado por muitas pessoas, entao gostaria de pedir o seu voto! Nunca fui muito boa para essas coisas, nao tenho muita vocaçao política e nem sequer no Grêmio estudantil eu participei, entao nao vou me estender muito. Mas ficaria muito feliz e agradeço de verdade todos os votos que o blog receber.

Se compreendi bem, os três blogs com mais votos terao seus prêmios revertidos a UNICEF. Entao, além de de divulgar os blogs, o concurso também ajuda pessoas. Algo bem bacana, e nao leva muito tempo votar - basta clicar no botao que está na barra à direita do blog ("Vote no Próxima Estación"), e aparecerá a lista com os blogs que estao competindo. É possível votar em até três blogs. Preste atençao, pois a lista nao está em ordem alfabética - o Próxima Estación está na linha 111.

É possível postar seu voto até 14 de fevereiro. No dia 18, o pessoal da Bab.La divulgará os vencedores. A sorte está lançada!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Dez anos de vida virtual

Há um mês, recebi um email da Equipe Windows Live me dando parabéns porque a minha conta de Hotmail estava completando dez anos. Pensei: "putz, dez anos??"

Parece que foi ontem. O Hotmail foi o meu primeiro email, a minha primeira entrada no mundo virtual. Lembro muito bem como foi: era dezembro, uma tarde na redaçao como outra qualquer, e a hora do fechamento ainda estava longe entao o clima ainda era tranquilo entre o pessoal. Sim, porque quer ver o circo pegar fogo é entrar numa redaçao perto da hora do fechamento, é pior que o pregao da Bolsa da Valores. Todos falando ao mesmo tempo, alguns gritando, sendo que muitos desses gritos sao palavroes e xingos entre companheiros (que, depois do jornal fechado, era como se nada tivesse acontecido, claro).

Eu estava ao lado do meu colega Aladim Gonçalves (Aladiiiiimmm... onde você estará???), que escrevia para os cadernos de suplementos, e estávamos lendo os emails que ele recebia, como fazíamos sempre. Eram esses emails de corrente, piadinha, que até hoje existem, mas a diferença é que agora o povo capricha em presentaçoes Power Point ou te manda vídeos do Youtube (coisa que, em 1999, ninguém sonhava que existiria um dia).

Comentei com ele que achava legal aquelas mensagens (hoje em dia me irritam muitoooo... mas naquele tempo eu nao sabia que isso viraria uma praga), e ele perguntou "por que você nao abre uma conta no Hotmail?", eu olhei pra ele com uma cara de descrédito e disse: "ah, Aladim, eu nao sei fazer isso nao... tem que pagar?" Final da história, ele mesmo abriu a conta pra mim, me ensinou a como utilizar, como mandar um email, como abrir, como organizar... achei meio complicadinho no começo, mas me acostumei. A princípio, eu só recebia emails dele, mas com o passar dos meses foi aumentando consideravelmente as vezes que ouvia a perguntinha "você tem email?" e minha lista de contatos foi crescendo... até que, meses depois, conheci o Árabe, e aí sim meti o pé nessa jaca chamada internet, mundo cibernético e afins.

Logo veio a minha conta do Yahoo (que desliguei quatro anos depois, quando o meu ex descobriu a minha senha e leu todas as mensagens), ICQ, messenger. Ninguém falava em Orkut ainda, e eu descobri páginas de fóruns americanas e espanholas. Fiz amigos em outros países. Submarino virou um vício (nao parava de comprar livros e CDs por intermédio deles). Organizei a minha viagem a Grécia com uma agência de turismo em Atenas, tudo por email. Conheci meu marido. Comprei meu cachorro. Passei de viajar com bilhete aéreo "livrinho", de papel carbono vermelho, para o bilhete aéreo on line comprado diretamente no Iberia.com.

Fiz muitos amigos no Orkut. Aliás, o Orkut é um capítulo à parte na minha vida cibernética. Quantas vezes ri e chorei diante do computador lendo as comunidades que fazia parte. Foi no Orkut onde encontrei o apoio que buscava quando o Pancho estava entre a vida e a morte e eu nao sabia o que fazer. Fiz amigos nas comunidades de labrador que até hoje perduram. E quantas vezes também me zanguei e jurei que seria a última vez que perderia o meu tempo com aquilo, que iria apagar o perfil... cadê a coragem?

Agora, tenho duas contas de email, messenger, Skype, Twitter, Facebook, dois blogs (a caminho de ter três), álbuns no Picasa, conta no Youtube com vídeos do Panchito. Abri a minha primeira conta no Pay Pal! Eu sei, cheguei tarde, mas pô, eu moro na Espanha né! Vocês já sabem como os espanhóis sao reacios a essa história de internet... mas isso é assunto para outro post.

Enfim, só queria dizer que nao consigo mais imaginar a minha vida sem a rede. Nao me lembro mais como a gente se virava sem ela! Já falei pro Ernesto que pode cortar a despesa que quiser, mas nao abro mao do ADSL! Penso em como a tecnologia avançou em dez anos e já espero os computadores sem tela, como no filme "Avatar", para daqui uns aninhos. E sim, queria agradecer muito ao Bill Gates e a quem mais for preciso por ter me permitido isso tudo, pois conheci lugares, autores, músicos e filmes, adquiri conhecimentos, encontrei meus amores e fiz amizades que sao muito valiosas para mim, algumas até mais do as reais. Muito obrigada por terem me dado um espacinho em seus coraçoes, mesmo me conhecendo apenas por uma imagem e umas palavras escritas na tela.